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Cantor Genival Lacerda morre aos 89 anos vítima da Covid-19


O cantor e compositor Genival Lacerda morreu aos 89 anos, no Recife, em decorrência de complicações da Covid-19, nesta quinta-feira (7). A informação foi confirmada pelo filho do artista, João Lacerda.




O paraibano estava internado desde o dia 30 de novembro em um hospital do Recife por conta de uma pneumonia causada pelo novo coronavírus.


Desde que foi internado, o cantor apresentou melhoras e pioras. No dia 9 de dezembro, o quadro de Genival foi definido como animador após a evolução. “Segundo os médicos, o cantor continua em constante evolução, com as taxas normais e sem febre”, anunciou a família pelas redes sociais.


Um dia depois, no entanto, a infecção respiratória piorou e a pressão diminuiu. Já no dia 15 de dezembro, um boletim médico apontou que o quadro clínico do artista teve piora e era considerado gravíssimo, com comprometimento do pulmão.


Foi no dia do Natal que Genival apresentou melhora. "Ele está traqueostomizado no 22º dia de ventilação mecânica. Mantém pressão estável, sem necessidade de drogas vasoativas. Respondeu bem ao tratamento antibiótico, superando no momento um quadro de infecção respiratória", constava no boletim médico do dia 25 de dezembro.



Trajetória do cantor


Genival Lacerda foi um dos grandes nomes do forró e, com carisma e irreverência, se tornou um ídolo popular. Conhecido por todo o Brasil durante 64 anos de carreira, era um símbolo da cultura do Nordeste.


O cantor e compositor nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 5 de abril de 1931. Chegou a trabalhar na cidade como radialista, mas fez a primeira gravação como cantor quando já morava em Recife, para onde se mudou em 1953.


Genival gravou seu primeiro disco em 1956, um compacto duplo com "Coco de 56", escrito por ele e João Vicente, e o xaxado "Dance o xaxado", feito por ele com Manoel Avelino.


Ele gravou diversos álbuns e ficou conhecido pelo Nordeste como músico e radialista durante esta fase no Recife.


Em 1964, se mudou para o Rio de Janeiro. A consagração nacional veio com "Severina Xique Xique", de 1975. O refrão "ele tá de olho é na butique dela" virou sua marca.


Em seguida, vieram sucessos como "Radinho de pilha", "Mate o véio" e "De quem é esse jegue", que consolidaram o estilo bem humorado do "seu Vavá", como também era conhecido.



O músico viveu no Rio durante o auge da popularidade do forró no Sudeste, e conviveu com outros artistas fundamentais do estilo como Dominguinhos e Luiz Gonzaga.


Com Jackson do Pandeiro, teve uma relação ainda mais próxima, mesmo sendo bem mais novo. A irmã de Jackson, Severina, foi casada com um irmão de Genival.


Desde os anos 90, voltou a morar no Recife. Nos últimos anos, não tinha novos sucessos nas rádios, mas manteve o ritmo de shows e o reconhecimento popular.


No final de 2017 recebeu no Palácio do Planalto a medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC). Na cerimônia, Genival tirou seu chapéu estampado de bolinhas ao passar diante do então presidente Michel Temer.